É ao mesmo tempo tão complicado. SAUDADE é uma palavra que não existe no inglês, mas existe em mim..
Saber que existe mil pessoas na sua frente, mas você só quer fechar os olhos e imaginar que só precisa de uma pessoa ao seu lado.
Casas, luzes, vento, banco, praça, sozinho, lágrima, saudade, soluços, suspiros, cabeça, lágrimas, correr, esconder.
Ficar debaixo da minha cama, com meu urso de pelúcia, onde quando eu tinha 5 anos eu estava, onde nada me fazia mal a não ser a poeira debaixo da cama, onde nada chegava em mim a não ser o eco da gritaria da sala, onde eu dormia meu sono mais profundo sem precisar apertar os olhos para o sono vir, e eu apenas tinha saudade do lado macio de cima da cama.
E depois de me acalmar, eu voltava como se nada estivesse acontecido e estava tudo bem.
Eu só corria pro sofá da sala pra estar no colo da minha vó, e ela cantar cantigas que sua vó cantou pra ela.. Naquele som, lírico, eu me aconchegava, me sentia bem, segura e não sentia falta de nada, nem saudade.
Sempre tão profunda em mim mesma, eu buscava o colo da minha vó.
Hoje eu busco no lado macio de cima da cama tudo isso, e a saudade já não é mais de deitar no colchão.
Ás vezes, fecho os olhos e me transporto pra aqueles dias e vejo que era muito melhor o mal da poeira, onde só o que eu ouvia eram ecos e a saudade eu matava só deitando na minha cama.
Eu lamento todos os dias ter crescido tanto..
Não conseguir mais ter o sentimento, os problemas, e as preocupações de uma criança..
Quando eu aprendi a falar, mesmo falando errado, todos me entendiam.. Agora tenho um intelecto e a impressão de quando falo saiam apenas gemidos. Eu chorava por conta de um machucado.. Agora quando choro, dói muito mais e eu não posso ver. Eu buscava o colo de minha vó nas pequenas tristezas de uma criança.. Agora busco na escuridão do meu quarto, nos travesseiros e na cobertura de minha cabeça pelo edredom, a paz pra tentar pensar e resolver sozinha, minhas intrigas adolescentes.
É tão bom me trasportar pra aqueles dias, ainda sinto meu nariz coçar, meus pés gelados do piso frio, meu pijama todo sujo, minha chupeta na boca e meu travesseiro na mão.
Na hora da fome, tinha brigadeiro da minha vó.. Hoje eu como insesantemente e a unica sensação é de que não estou satisfeita, é um vazio que nem brigadeiro cobre.
Sinto muito não ter continuado aquela doce garotinha.. Me tornei tão diferente, que as vezes eu mesma não acredito me ser. Minhas lágrimas de madrugada não vão resolver meus problemas da aurora, eu choro só, me sinto só e só eu entendo.

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